Pastilhas moles de nistatina e lidocaína- Inovar para melhor tratar a mucosite

Produção de Medicamentos em Farmácia Hospitalar


Instituição

Centro Hospitalar Lisboa Norte, Hospital de Santa Maria

Autores:

OSME SILVA, F; MARTO, J; SALGADO, A; SILVA, A; MACHADO, P; RODRIGUES, V; FERREIRA, M.P; ALMEIDA, A.J.

O que foi feito ?:

Desenvolvimento, caracterização e estudo de estabilidade de uma nova formulação de pastilhas moles de nistatina e lidocaína, isentas de sacarose.
Estudo da actividade anti-fúngica da formulação desenvolvida.
Avaliação da palatabilidade das pastilhas como forma de avaliar a adesão à terapêutica através do preenchimento de um questionário.

Porque foi feito ?:

A mucosite oral consiste numa inflamação da superfície que reveste a cavidade oral e que se caracteriza por eritema, edema, e ulceração bilateral. Está associada a xerostomia, alterações do paladar, aumento do risco de incidência de infecções orais e dor (um dos principais sintomas reportados e que conduz a uma restrição alimentar, hídrica e ainda dificuldade na fala).
É frequente a utilização do colutório de nistatina e lidocaína no tratamento desta patologia, porém este apresenta uma acção limitada: o tempo de contacto entre a solução e a mucosa é reduzido; a palatabilidade inadequada e existe dificuldade em bochechar.
As pastilhas são formas farmacêuticas sólidas que podem conter uma ou mais substâncias activas, e que se destinam a dissolver lentamente na boca. Como vantagens pode referir-se o sabor e aspecto agradáveis, um maior tempo de permanência na cavidade oral, facilidade de administração em doentes com dificuldade na deglutição e ainda o facto de não necessitarem de água para a administração.

Como foi feito?:

Foram formuladas pastilhas moles de nistatina e lidocaína a partir de matéria-prima e sem sacarose na sua constituição. Os estudos realizados incluíram a optimização das propriedades físico-químicas das pastilhas (avaliação do comportamento por texturometria após dissolução parcial em saliva artificial, avaliação da compatibilidade entre excipientes e substâncias activas, e actividade anti-fúngica contra Candida albicans ATCC 10231) [4]. A estabilidade físico-química e microbiológica foi avaliada ao longo de 60 dias. Após consentimento informado e escrito, 38 voluntários adultos avaliaram a palatabilidade das pastilhas, através do preenchimento de um questionário antes e após a sua administração.

O que se concluiu?:

Foi desenvolvida uma formulação de pastilhas moles isenta de açúcar, com potencial para ser utilizada na veiculação de nistatina e lidocaína, produzida através duma técnica pouco morosa e facilmente executável em farmácia hospitalar.
As pastilhas desenvolvidas apresentam características farmacotécnicas adequadas à administração oral.
O comportamento das pastilhas após dissolução parcial em saliva é claramente vantajoso na medida em que a sua textura suave facilita a utilização pelo doente com mucosite oral, contribuindo para o seu conforto e melhorando a adesão à terapêutica. Por outro lado, o aumento da muco-adesão torna a acção tópica mais eficaz relativamente ao colutório frequentemente usado.
A formulação foi efectiva in vitro na inibição do crescimento da C. albicans.
A sua aceitabilidade global revelou ser bastante boa (86% dos inquiridos responderam que tomariam a pastilha se esta lhes fosse prescrita) o que pode indicar uma boa adesão à terapêutica.

O que fazer no futuro?:

Considerando que estas pastilhas foram produzidas utilizando metodologias aplicáveis em farmácia hospitalar ou comunitária e que foram devidamente testadas em termos de efectividade in vitro, estas poderão vir a ser preparadas em qualquer hospital e de um modo global promover o conforto e segurança na utilização deste tipo de medicamentos manipulados.
No futuro, pretender-se-á iniciar um ensaio clínico para avaliar a aplicação clínica das pastilhas.

Palavras chave :

Mucosite oral
Pastilhas moles
nistatina
lidocaína

Mais informações:

para mais informações contacte os autores através do email : cosme.filipa@gmail.com

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