Gestão de Farmácia Hospitalar


Instituição

Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental - Hospital de S. Francisco Xavier

Autores:

Marina Lobo Alves, Rosana Andrade, Mariana Solano, Erica Viegas, Catarina Oliveira, Renato Guerreiro, Inês Araújo, Joana Duarte, Célia Henriques, Cândida Fonseca, Fátima Falcão

O que foi feito ?:

O farmacêutico hospitalar iniciou atividade de consulta farmacêutica em doentes com diagnóstico de Insuficiência Cardíaca, no Hospital de Dia de Especialidades Médicas (HDEM), no segundo semestre de 2021. Esta consulta é realizada a todos os doentes que vêm pela primeira vez a este serviço, ou que estejam incluídos em programa de farmacovigilância ativa. Na consulta farmacêutica é revista a terapêutica do doente com o objetivo de aumentar a sua efetividade e a segurança, envolvendo a equipa multidisciplinar, os doentes e os cuidadores.

Porque foi feito ?:

A IC é considerada uma das principais epidemias do século XXI, e consome 1 a 3% do orçamento para a saúde nos países desenvolvidos. Trata-se de um problema comum e estima-se que, em Portugal, a IC afete cerca de 4,4% da população adulta. Estando associada a uma considerável morbi-mortalidade, torna-se o alvo ideal para uma abordagem multidisciplinar para alcançar o tratamento ideal e adaptado a cada doente.
As recentes recomendações internacionais “ESC Guidelines for the diagnosis and treatment of acute and chronic heart failure”, publicadas em 2021, pela European Society of Cardiology (ESC), referem a importância de uma equipa multidisciplinar no seguimento dos doentes com IC.

Neste contexto, a integração do farmacêutico na equipa multidisciplinar pretende melhorar a prestação de cuidados, a identificação, prevenção e resolução de problemas relacionados com a medicação, a promoção do uso correto de medicamentos e a participação do processo de educação para a saúde, contribuindo para otimizar a farmacoterapia e o uso de medicamentos.

Como foi feito?:

Os doentes que são encaminhados para uma primeira consulta de insuficiência cardíaca, são referenciados à consulta farmacêutica. Esta consulta é realizada diariamente no gabinete do farmacêutico localizado no HDEM. Em cada consulta, procede-se à recolha de informação sobre: alergias/ reações adversas, parâmetros antropométricos (peso, altura e superfície corporal), terapêutica em curso e utilização de suplementos alimentares, de ervanária ou de homeopatia e parâmetros analíticos relevantes com impacto na terapêutica. É igualmente avaliado o risco nutricional, a dor e a adesão à terapêutica e, em caso de necessidade, o doente é referenciado para consulta de nutrição ou dor. É efetuada validação, revisão, e reconciliação da medicação, pesquisa de interações medicamentosas e é realizada avaliação da adequação de posologia às características de cada doente. Todos os dados são registados no processo clínico eletrónico. Após discussão da avaliação realizada com a equipa médica, é executado o ensino ao doente, a quem é também entregue um guia terapêutico com a medicação em curso e informação relevante. É, também, entregue ao doente um cartão com os contactos do seu farmacêutico de referência, medida de promoção de proximidade, que poderá ser utilizado para esclarecimento de dúvidas, informação de alteração no esquema terapêutico, reporte de suspeitas de eventos adversos, etc.
Desde a implementação desta consulta, aos doentes de 1ª vez, foram realizadas 71 consultas farmacêuticas, que abrangeram 53 doentes, sendo 28 do sexo masculino (53%) com uma média de idades de 77 ± 10,8 anos. Nas consultas realizadas foram identificadas 59 interações medicamentosas, 12 de categoria X e 47 de categoria D. Adicionalmente foram realizadas 47 intervenções farmacêuticas relacionadas com necessidade de adequação do horário de administração, ajuste de dose pela função renal e hepática, discrepâncias na reconciliação da medicação, medicamentos contraindicados, posologias e medicamentos desadequados, reações adversas e desprescrição.
Os dados da consulta de farmacovigilância ativa encontram-se em fase de análise, não estando contemplados nestes resultados.

O que se concluiu?:

O farmacêutico hospitalar, integrado na equipa de saúde multidisciplinar, contribui para a identificação de oportunidades de melhoria na terapêutica prescrita, promovendo a simplificação e otimização do perfil farmacoterapêutico, o uso responsável do medicamento, maior segurança, adesão e educação para a saúde. O doente com IC, pelas características que apresenta, tem um potencial de benefício nesta atividade assistencial.

O que fazer no futuro?:

No futuro pretende alargar-se a consulta não só aos doentes que iniciam o acompanhamento no HDEM, ou que estejam incluídos em programas de farmacovigilância ativa. Considerando a monitorização desta atividade, pretendem avaliar-se os resultados em saúde após esta abordagem multidisciplinar, com a participação do farmacêutico hospitalar.
A interdisciplinaridade conduz a uma gestão uniforme do doente por parte da equipa, promovendo uma utilização eficaz e segura do medicamento, a sua complementaridade permite uma maior abrangência na prestação de cuidados de saúde diferenciados.

Palavras chave :

Farmacêutico Cínico
Equipa Multidisciplinar
Insuficiência Cardíaca
consulta farmacêutica

Mais informações:

para mais informações contacte os autores através do email : mfalves@chlo.min-saude.pt

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