Oncologia


Instituição

ULSM

Autores:

Sofia Carvalho da Silva, Ana Maria Santos, Ana Rute Vaz, Cristina Paiva

O que foi feito ?:

Em 2019, foi criado um modelo de farmacovigilância ativa para Medicamentos Sujeitos a Monitorização Adicional (MSMA), nomeadamente para os antineoplásicos orais, no âmbito de um projeto de investigação prospetivo em realização na Unidade Local de Saúde de Matosinhos (ULSM) que envolve os Serviços Farmacêuticos (Farmácia de Ambulatório), o Serviço de Oncologia e o Serviço de Hematologia Clínica. Assim, através de uma abordagem multidisciplinar, procurou-se potenciar a identificação precoce dos efeitos secundários associados a estes fármacos, sensibilizar o doente/cuidador para a importância dos sinais de possíveis efeitos secundários que surjam durante o tratamento e incentivar a sua notificação. Deste modo, procurou-se melhorar o conhecimento acerca dos efeitos secundários destes fármacos, contribuindo para uma melhor gestão das toxicidades dos mesmos e uma utilização mais segura do medicamento.

Porque foi feito ?:

Os MSMA são medicamentos para os quais existem dados limitados sobre a sua segurança e que, por esse motivo, exigem uma monitorização mais atenta pelas entidades reguladoras. Uma parte substancial dos MSMA é dispensada nas farmácias hospitalares, em regime de ambulatório, sendo, por isso, relevante uma estreita vigilância dos efeitos adversos por parte do farmacêutico hospitalar, além do doente e dos restantes profissionais de saúde envolvidos. Até ao momento, não existe nenhum registo sistemático de monitorização da segurança e eficácia dos MSMA, nem existe cooperação entre a avaliação médica e a avaliação farmacêutica.

Como foi feito?:

Foram implementadas medidas de minimização de risco, para os profissionais de saúde e para os doentes/ cuidadores. Foi criada uma lista com os MSMA em estudo, que é periodicamente atualizada, e estes fármacos foram identificados, na farmácia de ambulatório, com uma etiqueta cor-de-laranja. Esta lista foi afixada, assim como um cartaz com informação relativa aos conceitos de MSMA e triângulo preto, em local visível pelos doentes e pelos farmacêuticos. Elaborou-se um folheto informativo para o profissional de saúde que permite consultar, de forma rápida, toda a informação relevante para atividade de monitorização, tal como efeitos secundários mais frequentes, recomendações para a primeira dispensa, medidas preventivas e sinais e sintomas a monitorizar. Na farmácia de ambulatório é feita uma consulta de monitorização de efeitos secundários. Na primeira consulta é explicado o estudo ao doente e este, caso aceite participar, assina um consentimento informado. Além disso, é entregue ao doente um folheto informativo acerca dos MSMA e um cartão de monitorização, onde deve registar todos os sinais e sintomas. Este cartão é mostrado ao médico e ao farmacêutico, nas respetivas consultas. Foi, ainda, criada uma plataforma de monitorização, partilhada pela equipa médica e farmacêutica, onde são registados os todos os efeitos secundários e medidas tomadas, tais como redução de dose ou suspensão de tratamento. Todos estes efeitos secundários são posteriormente notificados à unidade de farmacovigilância. Trimestralmente, são realizadas reuniões de follow-up entre os médicos e farmacêuticos envolvidos, onde são discutidos os resultados.

O que se concluiu?:

Concluiu-se que a implementação deste modelo de farmacovigilância ativa permita a deteção precoce de efeitos secundários, uma melhor gestão da toxicidade e uma avaliação da resposta ao tratamento, contribuindo, desta forma, para aumentar as notificações de efeitos secundários dos MSMA e com isso, melhorar a informação já existente acerca da sua segurança. Foi promovido o uso seguro dos medicamentos, que se traduziu numa melhoria da qualidade do serviço prestado pelos Serviços Farmacêuticos, uma vez que os doentes se sentiram mais acompanhados e com mais confiança no seu tratamento. A realização deste projeto permitiu também melhorar a colaboração entre os profissionais de saúde dos vários serviços envolvidos, proporcionando assim um trabalho em equipa num contexto multidisciplinar.

O que fazer no futuro?:

Manter ativo o modelo de farmacovigilância e alargá-lo a outros MSMA.

Palavras chave :

Medicamentos Sujeitos a Monitorização Adicional (MSMA),
Farmacovigilância
Gestão de Toxicidade
segurança do doente
Antineoplásicos Orais

Mais informações:

para mais informações contacte os autores através do email : ana_rvaz@hotmail.com

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